A devoção, fé e influência de uma figura marcante na história religiosa do Nordeste brasileiro
Foto: Internet
Durante muito tempo a Igreja Católica agiu para o silenciamento do suposto milagre, mas ao não conseguir silenciar a história optou por embranquecê-la e institucionalizá-la ao transferir o protagonismo para Cícero. Na época, a Igreja censurou trechos de músicas do cancioneiro católico popular que faziam referência a Beata Maria de Araújo, recolheu escapulários e outros artigos religiosos que tinham sua foto, proibiu confecção de imagens
Se alguém dúvida basta ler a forma como os enviados de Roma para analisar o caso se referiam a Beata, está aí na rede para quem quiser ver. Eu prefiro não reproduzir nenhum trecho aqui, pois as palavras selecionadas por eles são de uma violência absurda. Vale lembrar ainda que os restos mortais de Maria de Araújo sumiram do local onde ela foi enterrada, o que é no mínimo estranho, e dizer que uma das formas de definir se uma pessoa é santa ou não para Igreja envolve a análise de seus restos mortais, então fica a pergunta – quem sumiu com os restos mortais da Beata Maria de Araújo?
Os esforços pela Reabilitação da Memória da Beata Maria
de Araújo propuseram junto a Câmara Municipal uma Lei que torna obrigatório no
âmbito do município a presença da foto da Beata Maria de Araújo, em moldura e
dimensões idênticas as fotografias já existentes do Padre Cícero, projeto
aprovado e sancionado em 2021. Outras propostas do Movimento são a escavação do
Cemitério do Socorro no intuito de descobrir onde estão os restos mortais de
Maria e a construção do Memorial Maria de Araújo.
A beata Maria Araújo, que antes da condenação da Igreja foi tratada na imprensa como a protagonista dos chamados “milagres”, descrita comumente com adjetivos elogiosos – virtuosa moça, devota de reconhecidas virtudes, santa, virgem, sendo em muitas matérias apresentada como a “A beata Maria do Crato”, “A beata Maria do Juazeiro”, “A beata Maria de Araújo e os fatos do Juazeiro”, “A santa do Juazeiro”, “pobre e humilde serva de Deus” – passou, sobretudo a partir de 1897, a ser descrita como “cavilosa”, “embusteira”, “celebre impostora”, “a grande embusteira do Juazeiro”, “ardilosa embusteira”, “histérica”.
Embora continuasse a ser amada e respeitada por milhares de sertanejos, no transcorrer do século XX Maria de Araújo caiu no ostracismo, no esquecimento, pouco se falando sobre ela e quando o faziam, despontava como coadjuvante do padre Cícero.
Era
uma menina pobre, negra, analfabeta, filha de negros e que desde cedo tinha
visões. Registrada como Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, ela foi o braço direito do fundador de Juazeiro
do Norte. Em 1889, a beata recebeu das mãos do Padre Cícero a hóstia que teria se
transformado em sangue na boca dela.
Ela
tinha saúde frágil e faleceu em 17 de
janeiro de 1914, no contexto da Sedição de Juazeiro. O confronto
armado entre as oligarquias cearenses e o Governo Federal resultou em invasões
no Crato e no Juazeiro. Em 1930, o túmulo de Maria de Araújo foi destruído.
A vida da Beata Maria de Araújo, a Beata
de Juazeiro do Norte, é um testemunho da força da fé e da devoção em nossa
história. Sua jornada espiritual continua a inspirar gerações de brasileiros
que buscam conforto e esperança em meio às adversidades da vida. Beata Maria de
Araújo nos lembra que, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras, a fé e a caridade
podem iluminar o caminho para um legado duradouro e significativo.
A História da Beata Maria de Araújo
Artigo: Thesco Duarte
Foto: Internet
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